3.12.16

Porque eu fiquei, e ele foi?



Como explicar que um goleiro faz uma defesa milagrosa, no frigir dos jogos de uma semifinal, e que esta seria sua última façanha como profissional? 

Como explicar que um comentarista é escalado para um jogo, briga, mas acaba obedecendo às ordens da empresa, sem saber que esta seria a última viagem de sua vida?

Quantas histórias interrompidas por um voo? 

Famílias separadas? Vidas que se foram? Outras que se salvaram?

Como explicar, ou mesmo reconhecer a existência de fatos como a tragédia de Chapecó?

Mais ainda: como explicar um Deus que permite tudo isso?

...

Talvez a melhor resposta bíblica para entender tudo isso é: não há explicação. Deus quer, Deus permite, Deus faz - e nada acontece sem sua permissão e consentimento.

Quando Jó perde sua família, bens e saúde, é estimulado por sua esposa a maldizer a péssima sorte - e sua atitude, como resposta é a mais coerente com o pensamento de um cristão: "Nu saí do ventre de minha mãe, nu voltarei."

E, depois, a sentença do que deveria ser o pensamento de um cristão nessa hora: "O Senhor deu, o Senhor tirou: bendito seja o nome do Senhor!" (Jó 1:21).


...

Quantos podem, nesse momento, dizer, de fato, que Deus é o Senhor da Glória, da vida de todos e de seus destinos? Quantos podem realmente afirmar o que Jó testemunhou?

fps, 03/12/2016, 13:20

18.11.16

33 homens, 2 visões opostas e 1 certeza: ninguém dá valor ao que é certo

Um crime chocante, um vídeo correndo o Twitter, e muita gente escrevendo "textão": assim as redes sociais se indignaram e manifestaram sua indignação sobre o estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro, cujas investigações ainda estão em curso (e que ninguém sabe como vão parar). 

Destes, dois tipos se destacam, e se nivelam na mediocridade: as feministas e simpatizantes, que denunciam a "cultura do estupro" e seus efeitos nefastos na sociedade do século XXI; e a turma dos "direitos humanos para humanos direitos", com suas propostas indecentes para uma sociedade evoluída - mas que encontram eco nas famosas quebradas da vida.

Pediram a este escriba para dizer sua opinião sobre o assunto. Quer dizer, não pediram, mas como o Facebook está tão cheio de gente querendo bater em você - e não havia tempo hábil para escrever uma resposta que prestasse - decidi usar o blog para falar das duas "correntes de pensamento".

E, para variar, desancar ambas, já que ninguém se lembrou do motivo principal pelo qual nada disso funciona: ninguém dá realmente valor a quem "presta" na sociedade.

...

Comecemos pelos exaltados "à direita", os que sugerem o método bolsonariano de resolver conflitos (castração química e pena de morte). Sem entrar no mérito de ter que mudar a Constituição para transformar nosso país na barbárie autorizada pelo Estado, o fato é que tal método ... não funciona.

Os EUA, paradigma dos amantes da pancadaria pura, são de longe o país mais inseguro dentre os desenvolvidos. Inseguro, e injusto, pois já há muito que se sabe que é mais fácil encontrar negros em uma cadeia que numa faculdade - sem falar nas pesquisas que comprovam que é a certeza de punição, e não a extensão da pena, que mantém a sociedade em ordem.

Penas desse tipo só nos desumanizam, e não reduzirão a quantidade de pedaços de excremento fétido que cometem esse tipo de crime. Não precisamos disso, os bandidos já sabem tratar os estupradores com a crueldade que eles merecem - vandalizando-os até dizer chega.

...

Por outro lado ... quem foi que disse que podemos jogar na mesma vala comum gente que não presta, por definição, e pessoas honradas, como os pais, amigos e namorados de mulheres (e homens sem nenhum amor próprio) que bradam pela existência de uma "cultura de opressão contra a mulher", da qual o estupro é o principal símbolo?

O cristianismo, base daquilo que muitos chamam sociedade patriarcal (e que de "patriarcal" não tem nada, pois a mulher é o centro da casa cristã) exige dos homens que amem suas mulheres "como Cristo amou a Igreja". Aparentemente, é fácil - mas, entendam, CRISTO DEU A SUA VIDA PELA IGREJA, logo o homem deve dar a sua vida pela família que tem - e pela mulher com quem aceitou se casar e constituir família.

Muitos homens esquecem essa missão, que aceitaram quando se tornaram cristãos (católicos ou protestantes), e confundem ser o "cabeça da família cristã" com ser chefe e mandatário de toda a casa. Acham que tem poder sobre tudo e todos, e que devem ser obedecidos "à risca".

Nesse contexto, sexo pode até ser confundido com poder - mas a maioria, contudo, não pensava nisso no passado. Tratava-se, na verdade, de mais uma "obrigação", de ambos os lados, em um tempo no qual mulheres queriam "se livrar daquela coisa suja", que era o sexo.

...

Lamentavelmente nossa sociedade deturpou o conceito original do casamento e de todas as instituições cristãs - para o bem, ou para o mal. Um dos grandes erros que se fez, contudo, foi nos relacionamentos: a vida "fora de casa" passou a ser muito mais importante que a vida "dentro de casa", e o relacionamento familiar perdeu força.

Sexo passou a ser permitido fora do casamento, e considerado sadio, desde que com consentimento.

Mas, aí ... a liberdade conduziu à banalidade, do sexo e da vida em comum.

...

Nossa sociedade não é patriarcal há tempos, mas não colocou nada no lugar: pessoas "ficam" por uma noite, tem filhos de relacionamentos frugais, e acham isso normal. 

Querem ser independentes da boca para fora: bradam por novos valores, mas no fundo se destroem pela falta de alguém de verdade, que os compreenda e os ame. 

Exigem respeito, igualdade e o fim de uma "cultura de opressão", mas não dão valor a pessoas que poderiam realmente valorizá-las, ampará-las e amá-las de verdade.

Não querem ter uma vida em comum. Não querem viver "na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença, enquanto Deus com vida os conservar".

Procuram a felicidade sozinhos, procurando eternamente novas experiências, vivendo para o trabalho e para prazeres frugais - mas não querem compromisso com ninguém.

Porque são covardes o suficiente para encontrar alguém e se estabelecer de verdade.

...

Esse texto começou por um caminho, e enveredou por várias coisas que me vieram à cabeça. Particularmente, acho que há muito homem que não pensou no óbvio: se existisse uma "cultura do estupro", então os 33 tarados seriam vítimas do sistema, e não culpados pelo crime.

Chamo-os de "dementes", porque a minha vontade é chamá-los de "escória". Só são seres humanos porque não podemos retirá-los de nossa espécie - e por isso, mas SÓ POR ISSO, merecem direitos.

Contudo não posso deixar de dizer que uma cultura que demoniza relações, que torna tudo em "opressão" e dialética falsa não pode ser chamada de o melhor caminho.

Porque a individualidade tosca, essa, ah... é tão terrível para o ser humano quanto o desprezo por outro gênero, por outro indivíduo, qualquer que seja o motivo.

Qualquer que seja ele.

6.9.16

Oração de agradecimento

“Obrigado, Senhor,
por todo meu sofrer
que em vida passei.

Obrigado, Senhor,
porque por causa disso
homem eu me tornei.

Obrigado, Senhor,
por me ter obrigado
a ver tudo na vida,
a entender o sentido
de tua graça, contida
em um ato sublime
que é o da Redenção.

Obrigado, Senhor,
por meu andar ter sido duro,
por minha vida ter tido falhas,
porque foi nelas que vi todo
o ser humano vil que eu era,
e o homem certo que tornei a ser.

Obrigado, Senhor,
por me fazer ver as fraquezas
que eu mesmo já não via.

Por me fazer perceber
que aquilo que vivia
já estava muito longe
de aos seus olhos agradar.

Obrigado, meu Pai,
por me dar a força extrema,
por me dar o desencanto,
porque nisso eu cresci.

Obrigado, Pai amado,
porque hoje eu renasci.

E por tudo que vivi,
eu conheço o que senti,
compreendo teu saber,
anuncio teu poder
e cresço, mais e mais,
na vida
e na fé.

Obrigado, Pai,
porque hoje eu sou um homem.

E isso, sem dúvida,
ninguém tirará de mim.”

19.8.16

Oração do poeta (ou do sonhador)

“Senhor Deus, amado pai,
estou triste, meu Senhor
Já não sei mais confiar
no grande poder do amor.
Já não sei mais o que falo,
já não sei mais o que sou,
já não vivo com ternura,
minha vida só é dor.
Já não posso esperar nada
das pessoas que queria,
pois punhais me traspassaram,
machucado em demasia.
Fico muito agoniado
com o que vejo de dia
e a noite, só dá sono,
não mais aquela alegria
de viver a cada sonho
um momento diferente
e fazer de um mundo novo
algo melhor p´ra essa gente.
Senhor Deus, meu Pai querido,
dá-me forças p´ra lutar.
Dai-me chances nessa vida,
dai-me sede do saber,
dai-me a oportunidade
de crescer para viver.
Tudo isso pede um homem
que sabe o quanto é de bem,
para terminar a reza
em nome de Cristo,
Amem”

15.7.16

Religião da salada corporativa




Coca nossa que estás conosco agora,
dai-nos o direito à Pepsi de todo dia.
Dai-nos o LG da Panasonic,
e também a CG da Yamaha;
não retirai-nos o Gol da Fiat,
tampouco o Marea da Ford;
concedei-nos de graça uma Shell,
e, por bom preço, um XP.
Afastai-nos do mal do Linux,
e da porta de qualquer uma
das Casas Bahia.

Cedei-nos o Dolce & Gabanna,
e também o Gucci fino, e o Prada,
e retirai de nossa vida a quentinha,
antes que se torne fria.
Creio em vós, corporativo ser,
que nos deste todo o dinheiro e o poder.
Mas, se não nos deres,
ceda-nos um empréstimo,
que pagaremos,
em suaves prestações,
todos os dias,
até o fim de nossas vidas.
Que assim seja
(ou não, dependendo das ações em bolsa).

FPS, 15/07/2005, 15:44

21.5.16

Comunidades presbiterianas: "culto moderninho" ou "culto chato"?

Como já diziam antigamente, são necessárias 20 pessoas para trocar uma lâmpada em uma Igreja tradicional: uma para fazer a mudança, e as outras dezenove para reclamar que a antiga era melhor. Volta e meia, porém, o presbiterianismo me surpreende com modismos que não fazem muito sentido.

É o caso das tais "comunidades presbiterianas", federadas à IPB mas que inventaram um jeito moderninho de ser (e de agir). Reuniões informais travestidas de culto, uso de linguagem extremamente descolada e com uma abordagem direta, e aberta - mas que se esquecem do fundamental: usar a Bíblia como base para tudo, do início ao fim do "evento".

O site Bereianos, que tem muito mais embasamento do que eu para falar, fez excelente matéria a respeito do assunto. Dela, destaco a seguinte citação de Paul Washer:
"“[..] àqueles que estão constantemente buscando formas inovadoras de comunicar o evangelho para um nova plateia [seeker-sencitive], faria bem começar e terminar uma pesquisa nas Escrituras. Os que enviam milhares de questionários perguntando aos não convertidos o que mais desejam em um culto devem perceber que dez mil opiniões de homens carnais não carregam a autoridade de um “i” ou “til” da palavra de Deus. Devemos entender que há um grande abismo de diferenças irreconciliáveis entre o que Deus ordenou nas Escrituras e o que a atual cultura carnal deseja.” (O Poder do Evangelho e Sua Mensagem, p. 20)."
Um culto chato, entretanto, é quase a mesma coisa que uma aula dupla de faculdade com aquele professor que tem muito conhecimento, mas nenhuma didática: você vai até assistir, por obrigação, mas não vai aprender nada (e dá-lhe Whatsapp nos bancos das congregações por aí). Em uma Igreja tradicional, o problema é agravado, pois via de regra o cidadão aprende que aquele é o modelo certo de louvar a Deus - e não há nada que faça mudar os crentes tradicionais a esse respeito.

Seria muito fácil dizermos "não vamos mudar, você que se acostume": entretanto, um dia as novas gerações vão assumir seu espaço dirigindo o culto. São eles, os mais novos, que estão mexendo com paradigmas, e mudando costumes de gerações - sem nenhuma adaptação, nem orientação sobre o que é certo ou errado (até porque, no passado, receberam um "NÃO" como resposta).

Uma Igreja que não muda nunca é tão prejudicial quanto uma Igreja que muda de forma acelerada. Adaptar-se é necessário, conhecer novos estilos, também (como nesse relato do rev. Augustus Nicodemos a respeito da Mars Hill Church) - mas, mais importante, é preciso admitir que a Igreja está inserida no mundo, e não pode simplesmente ignorar as mudanças que vem de fora.

Até porque a "sã doutrina", apesar de ser nosso alicerce, não entra nos detalhes que o século XXI ousou inserir nas comunidades evangélicas ao redor do mundo (que não são poucos).

16.5.16

Oração nº 7

Senhor,
dai-me forças
para poder me amparar
e querer segurar
esse choro incontido
que tenho dentro de mim.

Senhor,
dai-me a sã consciência
de poder refletir
e de poder saber
o que faço, Senhor,
nessa vida.

Senhor,
dai-me a força suprema
de poder resistir
às humilhações da vida.

Senhor,
dai-me força, coragem,
dai-me forças, Senhor,
para poder orar,
para poder viver,
para poder sentir,
para poder crescer.

Só tu, Senhor,
tens sabido do meu sofrimento,
da minha desilusão,
do meu grave tormento,
dessa grande tristeza
que abala essa vida
no meu coração.

Só tu, Senhor,
tens me dado a verdadeira paz
para lutar por mim mesmo
e chegar onde cheguei.

Peço-te, ó Deus,
que estejas do meu lado,
que não me desampares nunca,
que estejas junto comigo,
que me ajudes a superar
essa dor que me destrói.

Peço-te a paz que almejo
em todos os tempos da minha vida.

Peço-te o amor,
peço-te forças,
presença, e luta,
e a sabedoria, ó Pai,
pois não sou digno de tudo o que me faz.

Mas, ainda assim, necessito de ti, pela graça de teu filho Jesus,

Amem

22.4.16

Sinal da cruz



"Em nome do Pai ..." quantos não deturparam sua mensagem, dizendo que ELE queria quando na verdade eram ELES que queriam, matar, fuzilar, roubar, esquartejar para seu próprio prazer e para satisfazer sua sede de ganância.

"Em nome do Filho ..." quantos não falam besteiras, bobagens, insanidades, declarando-se poderosos quando na verdade são somente massa em estado agudo de decomposição.
E, ainda assim, há aqueles que procuram, e zombam "

... do Espírito Santo ...", ao recusarem seu consolo e sua proteção procurando alívio na Lei, ou na permissividade, ou na relatividade da vida, ou na frouxidão de seus próprios atos, ou, pior ainda, em fardos maiores que suas costas mas que ELE nunca pediu para ninguém carregar, em vida.
E, diante de todos esses fatos, quem poderá realmente selar-se com este sinal dizendo: "amém"?

FPS, 09/08/2005, 13:07