Comunidades presbiterianas: "culto moderninho" ou "culto chato"?

Como já diziam antigamente, são necessárias 20 pessoas para trocar uma lâmpada em uma Igreja tradicional: uma para fazer a mudança, e as outras dezenove para reclamar que a antiga era melhor. Volta e meia, porém, o presbiterianismo me surpreende com modismos que não fazem muito sentido.

É o caso das tais "comunidades presbiterianas", federadas à IPB mas que inventaram um jeito moderninho de ser (e de agir). Reuniões informais travestidas de culto, uso de linguagem extremamente descolada e com uma abordagem direta, e aberta - mas que se esquecem do fundamental: usar a Bíblia como base para tudo, do início ao fim do "evento".

O site Bereianos, que tem muito mais embasamento do que eu para falar, fez excelente matéria a respeito do assunto. Dela, destaco a seguinte citação de Paul Washer:
"“[..] àqueles que estão constantemente buscando formas inovadoras de comunicar o evangelho para um nova plateia [seeker-sencitive], faria bem começar e terminar uma pesquisa nas Escrituras. Os que enviam milhares de questionários perguntando aos não convertidos o que mais desejam em um culto devem perceber que dez mil opiniões de homens carnais não carregam a autoridade de um “i” ou “til” da palavra de Deus. Devemos entender que há um grande abismo de diferenças irreconciliáveis entre o que Deus ordenou nas Escrituras e o que a atual cultura carnal deseja.” (O Poder do Evangelho e Sua Mensagem, p. 20)."
Um culto chato, entretanto, é quase a mesma coisa que uma aula dupla de faculdade com aquele professor que tem muito conhecimento, mas nenhuma didática: você vai até assistir, por obrigação, mas não vai aprender nada (e dá-lhe Whatsapp nos bancos das congregações por aí). Em uma Igreja tradicional, o problema é agravado, pois via de regra o cidadão aprende que aquele é o modelo certo de louvar a Deus - e não há nada que faça mudar os crentes tradicionais a esse respeito.

Seria muito fácil dizermos "não vamos mudar, você que se acostume": entretanto, um dia as novas gerações vão assumir seu espaço dirigindo o culto. São eles, os mais novos, que estão mexendo com paradigmas, e mudando costumes de gerações - sem nenhuma adaptação, nem orientação sobre o que é certo ou errado (até porque, no passado, receberam um "NÃO" como resposta).

Uma Igreja que não muda nunca é tão prejudicial quanto uma Igreja que muda de forma acelerada. Adaptar-se é necessário, conhecer novos estilos, também (como nesse relato do rev. Augustus Nicodemos a respeito da Mars Hill Church) - mas, mais importante, é preciso admitir que a Igreja está inserida no mundo, e não pode simplesmente ignorar as mudanças que vem de fora.

Até porque a "sã doutrina", apesar de ser nosso alicerce, não entra nos detalhes que o século XXI ousou inserir nas comunidades evangélicas ao redor do mundo (que não são poucos).

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